A rosa adulta de L’Eau de Chloé
Eleitos

A rosa adulta de L’Eau de Chloé

por Vânia Goy

Por Dênis Pagani, do 1nariz

L’Eau de Chloé é um super exemplo de um dos caminhos do chipre num contexto contemporâneo — de leis, de vontades do mercado, de estilo. E na minha régua, também o caso do flanker (o perfume derivado de uma matriz) melhor que o original.

A saída é um pouco mentolada do patchouli, que faz a espinha dorsal do perfume. É naquele tratamento contemporâneo: muito limpo, com um ângulo terroso bem sóbrio. Bem diferente do patchouli mofo-de-fundo-de-armário que os hippies apresentaram para o mundo. Aqui ele dá um efeito borbulhante: quando o nariz encontra com o lado frutado da rosa a cabeça lembra de um copo de guaraná. Mas só na saída, daqui para frente fica a textura da madeira e uma lembrança de terra.

A rosa está presente o tempo todo e mantém o clima de austeridade: é sem babados, lacinhos, sem penduricalhos; o que também ajuda na idéia de leveza do perfume. Por contraste com o que está no mercado, rococós de algodão doce, parece que não vai sair da pele, mas sai, e tem projeção discreta e bonita. Ao longo do tempo cresce um acorde cremoso, amendoado, cosmético, que também está em See by Chloé.

Em impressão geral, discordo da propaganda: não acho tão menina (que, me parece, não vai nem se reconhecer em tanto controle) ou mulherzinha. Se mudar o contexto para adulto e menos romântico, o perfume ainda faz bastante sentido, porque tem elegância de ponta a ponta. Vai aguentar o trabalho mais sério, o verão, almas românticas, e tem estatura para passar do dia para a noite. É o meu favorito da marca.

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