Natural + sintético: a beleza do futuro é feita de ativos biossintéticos
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Natural + sintético: a beleza do futuro é feita de ativos biossintéticos

por Manuela Aquino

Quando a gente fala sobre sustentabilidade, impacto ambiental e formulações naturais o cenário ainda parece um pouco dual no mercado de beleza: de uma lado, empresas com produtos 100% feitos em laboratórios de alta tecnologia; do outro, marcas totalmente naturais. Agora, termos como biotecnologia, biomimética e bioengenharia são alguns dos utilizados para descrever também as formulações de cosméticos.

Desenvolvidos em laboratório, inspirados ou derivados de matérias-primas naturais, eles vem ganhando o nome de biossintéticos. Destaque na Marie Claire UK essa gama de ativos se diferencia pela redução de impacto ambiental e também pela possibilidade de serem “editados” cientificamente em busca de mais performance. “Ingredientes cultivados biossinteticamente fornecem os meios mais diretos e eficientes de obtenção de matérias-primas sem alguns dos impactos devastadores da agricultura, pesca e extração, ou o envolvimento de intermediários, o que pode aumentar o custo e a pegada de carbono em longas cadeias de abastecimento globais”, disse à reportagem Sarah Jay, criadora do documentário Toxic Beauty e fundadora da All Earthlings, organização dedicada a melhorar a transparência nas cadeias de suprimentos de cosméticos. Esses produtos fazem parte do enorme mercado global de produtos ditos naturais, que deve valer, até 2025, 48 bilhões de dólares.

Exemplo que a gente não cansa de citar: a Biossance desenvolveu um esqualano 100% botânico, vindo de subprodutos da cana-de açúcar. “Projetamos a cepa de levedura perfeita e depois a misturamos com o xarope de cana. Por meio do processo de fermentação, a levedura converte o açúcar em uma molécula sintética de esqualano”, explicou Catherine Gore, presidente global da marca. Da cana também vem o Ambrofix, da Givaudan. É uma molécula biodegradável de âmbar e aroma amadeirado feita a partir da fermentação da cana-de-açúcar. Já a One Ocean Beauty fez parceria com um laboratório de biotecnologia azul, que produz clones de algas para fabricar seu principal hidratante facial. Julia Stewart, gerente nacional de educação da Shiseido, diz que em laboratório é possível manipular moléculas para serem mais eficazes: “nosso ácido bio-hialurônico mais recente agora se dissolve em água e óleo, por isso penetra melhor na pele oleosa e é absorvido mais profundamente.

O esqualano originalmente é retirado do tubarão — de acordo com a organização global Shark Allies, 2,7 milhões de tubarões ainda são mortos todos os anos para retirada do fígado; então a decisão pelo sintético é sustentável, ética e ainda mais eficaz para a pele — segundo a Biossance, inclusive mais eficiente do que as versões derivadas de oliveiras, que já eram a alternativa vegana usada pela indústria de beleza há anos.

Mais: ao contrário das plantas cultivadas no campo, os ingredientes biotecnológicos para a pele também têm a vantagem de serem 100% livres de agrotóxicos. Parece o melhor dos mundos, não?

Top 5

1. Takasago aposta em upclycling
A empresa, uma das cinco maiores de fragrâncias do mundo, está investindo no reaproveitamento de matéria- prima. A técnica de aproveitar tudo, até o que aparentemente poderia ir para o lixo, se chama upcycling (aqui, a gente fala mais sobre). Um exemplo da Takasago é a hinoki, madeira que vem de uma árvore japonesa considerada sagrada — o grosso dela é usado para construção de edificações religiosas e o resíduo vira óleo essencial. Aurélien Guichard, perfumista da empresa, diz que parte olfativa não é afetada. “Ao contrário, é muito nobre e rica. Você pode usar ingredientes reciclados sem comprometer a qualidade da fragrância”, diz. Cistus absoluto da região espanhola de Andaluzia e o óleo de madeira Guaiaco, do Paraguai, também fazem parte dessa iniciativa.

2. Exportação no setor de higiene pessoal tem aumento no primeiro semestre
Segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o crescimento foi de 16% com exportação de 332,7 milhões de dólares até junho. Dois setores ajudaram a alavancar os números: produtos para cabelo, que teve faturamento de 73,9 milhões de dólares, e desodorantes com 37,7 milhões. Com relação ao que foi importado, houve aumento de 22,7%. Mesmo com o crescimento nas exportações, a balança comercial para o setor tem défict de 33,9 milhões de dólares.

3. Pelo meio ambiente, Natura firma uma parceria com a família Schurmann
A empresa, através da nova fragrância Kaiak Oceano, estará a bordo da próxima expedição da Família Schurmann, chamada Vozes do Oceano. Eles devem passar por 40 destinos e registrar a condição dos mares para aumentar a conscientização do público sobre a importância da preservação dos oceanos, consumo consciente e descarte correto de resíduos. A família começa em agosto, no veleiro sustentável Kat, saindo do porto de Itajaí, em Santa Catarina, e segue pela costa brasileira em direção aos Estados Unidos, América Central, ilhas do Pacífico e Nova Zelândia. “Com Kaiak Oceano, buscamos mostrar que é possível fomentar a cadeia de reciclagem e evitar a produção de mais resíduos que, em grande parte, poluem as águas”, disse em nota Fernanda Rol, diretora de marketing da marca. O perfume utiliza plástico do litoral brasileiro em sua embalagem.

4. Boticário lança bisnaga ecológica para perfume 
A novidade, que promete trazer uma nova experiência na aplicação de perfume, é fruto de uma parceria com a Cosmogen, criadora da bisnaga Squeeze’n Tint, que criou uma versão com pincel para o Lily Absolu. Para evitar vazamentos, há uma trava que fecha hermeticamente na região do aplicador. A embalagem é recarregável e feita com polietileno (PE) e polipropileno (PP) reciclados. Ainda sobre O Boticário, a DHL Supply Chain, empresa de armazenagem e distribuição, fez parceria com o grupo  para zerar as emissões das entregas às lojas da cidade de São Paulo. O projeto faz parte da meta do grupo para as capitais, que é de que 100% das entregas sejam feitas por veículos elétricos até 2025. Já a DHL tem a meta de zerar suas emissões até 2050.

5. Divulgado o top 5 na categoria de beleza e bem-estar do ranking TOP Open Corps 2021
Feito pela 100 Open Startups, o ranking trouxe Natura, Grupo Boticário, Eurofarma, Johnson & Johnson e Roche como as vencedoras — elas foram responsáveis por 60% dos relacionamentos com startups no setor. No total, foram registrados mais de 26 mil relacionamentos de open innovation entre grandes empresas e startups sendo que nesta categoria, das 92 corporações que investiram em startups, 46 delas já haviam feito este movimento no ano anterior. As corporações do setor de saúde e bem-estar fizeram negócios com 246 startups — serviços e produtos foram os contratos mais feitos.

E mais:

. Laura Mercier, bareMinerals e Buxom não são mais do grupo Shiseido, que vendeu as marcas dos EUA para a Advent (empresa de patrimônio privado) por 700 milhões de dólares. O foco é o mercado asiático e as marcas de skincare com maiores margens de lucro.

. A L’Oréal Estados Unidos é a primeira empresa a receber a nova certificação EDGEplus para Equidade Interseccional de Gênero. “A certificação ressalta nossa responsabilidade de medir consistentemente a equidade de gênero por meio de várias dimensões da diversidade de forma sustentável”, disse Angela Guy, diretora de diversidade e inclusão da L’Oréal EUA. Já falamos aqui sobre ações da empresa em prol da diversidade.

. A Coty entrou com pedido de oferta pública com o propósito de vender ações e ter investimentos para aumentar sua operação no Brasil. Uma fonte do BOF disse que a empresa pretende levantar pelo menos 1 bilhão de reais.

. O universo de haircare ganhou uma novidade sustentável: a marca Walory passa a apostar no alumínio como matéria prima principal para as embalagens. Além de ser 100% sustentável, o material bloqueia a luz e os ativos dos produtos duram mais.

. A química Clariant anunciou a compra da Beraca, empresa brasileira especialista em ingredientes nacionais naturais. A empresa familiar tem 30 anos, 90 funcionários e lucrou 15 milhões de dólares em 2020 com a venda de insumos naturais como óleos e manteigas para fabricação de cosméticos.

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