O futuro da beleza: do mindfulness pro bodyfulness
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O futuro da beleza: do mindfulness pro bodyfulness

por Vânia Goy

Qual é a evolução do mindfulness? A gente tem falado e lido muito sobre ansiedade e estresse, sobre os benefícios da meditação e da atenção plena. Muito da nossa energia anda concentrada do pescoço pra cima, já reparou? Colada no celular, consumindo muita informação, pulando de uma tela pra outra, imersa nos nossos mais de 70 mil pensamentos diários (esse dado é uma estimativa real!). “Também estamos acompanhando a preocupação crescente de como a alimentação, os ingredientes e a procedência de matérias-primas causa curiosidade e também ansiedade. Os consumidores estão tomando pra si a responsabilidade de fazer escolhas mais saudáveis e buscando mais transparência, saúde e segurança na hora de fazer compras e contratar serviços”, me disse Iza Dezon, expert em previsão de tendências, representante da Peclers Paris no Brasil, enquanto a gente selecionava quais tendências de 2020 iríamos abordar nessa série de artigos especiais.

Essa evolução consiste, justamente, em botar atenção no que acontece também do pescoço pra baixo, no que afeta os nossos cinco sentidos. Dá pra sentir que as barreiras entre beleza, nutrição, exercício físico e saúde estão cada vez mais tênues e muito menos concentradas na performance, na forma física e no treino. Em vez disso, o caminho anda se abrindo para uma busca por cuidado, cura e purificação mais holísticos (e aqui essa palavra não tem nada de esotérico e sim de global, de unir a mente e o corpo). “Há uma necessidade de recarregar as baterias com escolhas que deem prazer e sejam valiosas não só imediatamente, mas também para a manutenção da saúde e longevidade. Vamos viver mais e queremos envelhecer melhor”, diz Iza. 

Um bom exemplo dessa história é o livro da psicoterapeuta americana Christine Caldwell, que dá nome a esse nosso artigo: “Bodyfulness” é um convite aos leitores praticarem atenção plena corporal, atentos ao estado físico tanto quanto o mental e espiritual. Segundo a autora, essa contemplação corporal permite desenvolver a sabedoria do próprio corpo, usando-o como uma interface para sentir e experimentar o mundo num canal único de bem estar interior e exterior.

Outra boa referência dessa discussão é o filósofo e PhD em psicologia e neurociência cognitiva Manos Tsakiris. Segundo ele, a psicologia moderna foca quase que exclusivamente nas sensações externas, omitindo assim um fator essencial que contribui para o bem-estar mental, emocional e cognitivo: as percepções internas. No livro “The Interoceptive Mind”, ele explica que a saúde mental está diretamente ligada à nossa capacidade de avaliar as funções dos órgãos internos, músculos e veias sanguíneas. Uma visão complexa, mas que inspira novas pesquisas e conexões entre a fisiologia e psicologia. 

Meu apaixonamento total pelos rituais de beleza como momentos de bem-estar vem justamente deste desejo de conexão e estímulos dos sentidos para além do mental — e acho que eles podem ser parte valiosa dessa busca por uma conexão maior da nossa mente com o nosso corpo. Que cheiros te rodeiam? Que textura seus produtos têm? Que toque você vai usar para massagear seu rosto ou corpo? Toda escolha conta, inclusive essas pequenas, que passam despercebidas. Vamos caminhar do bem-estar mental para um bem-viver mais global em 2020?

A foto que ilustra essa página faz parte do trabalho do artista visual suíço Matthieu Lavanchy. Seus corpos de espuma são um convite pros sentidos!

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