Óleos essenciais: o que são, como usar e quais escolher para quem está começando a se aventurar nessa história deliciosa
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Óleos essenciais: o que são, como usar e quais escolher para quem está começando a se aventurar nessa história deliciosa

por Vânia Goy

Bati um papo longo com Sônia Corazza, cosmetóloga, química e expert em aromacologia, que cria produtos para marcas brasileiras renomadas há (quase) 43 anos. Abaixo, respostas sobre as dúvidas mais comuns que recebo sobre óleos essenciais. E também ótimas definições sobre que são óleos vegetais e minerais, também outra fonte de dúvidas constante. Acompanhe:

O que são óleos essenciais?
Óleos essenciais são até chamados de óleos erroneamente: quando pensamos neles a primeira que vem à mente é a textura oleosa, lipídica, mas eles não são todos assim, as texturas nunca são oleosas. Óleos essenciais são a alma da planta. Com o cheiro ela se defende e atrai. Repele insetos e convida polinizadores, por exemplo. Pensemos na melaleuca: essa planta nativa da Austrália cresce em um lugar úmido e quente, terreno fértil para a proliferação de fungos. Por isso seu óleo essencial tem um cheiro tão marcante. Essa riqueza de compostos químicos é bactericida e antifúngica e seu óleo essencial é tão comum em fórmulas anti-acne e para controle da micose.

Óleos essenciais e essências são a mesma coisa?
Não são. As essências são misturas de substâncias sintéticas e até podem conter óleos essenciais naturais, de composição mais simples. Mas, cada vez mais, as essências contém menos óleos essenciais naturais, por conta do alto custo. Elas têm unicamente a função de perfumaria. Os óleos essenciais são mais complexos e atuam sobre o nosso sistema nervoso central, trazendo benefícios à saúde. Você pode, por exemplo, perfumar a sua casa com um spray de ambientes feito com uma essência. E guardar uma versão de aroma parecido, feita de óleos essenciais para quando precisar dos benefícios para saúde.

Qual é a diferença de óleo vegetal e essencial?
Óleos vegetais são compostos graxos, gordura, e tem uma função: lubrificar a pele e cabelo. Eles são emolientes e têm a capacidade de penetrar nas camadas mais superficiais da pele. Já os óleos essenciais podem ter dezenas de funções e também podem ser misturados aos vegetais. Os óleos vegetais são o veículo, que inclusive a pele tolera melhor, e o essencial é o ativo em si.

E o que são os óleos minerais?
É subproduto petroquímico, 100% mineral — o que não deixa de ser natural. Óleo mineral não tem a capacidade de ser absorvido pela pele. Sua função é formar uma barreira que não deixa a água sair. Sozinho ele não carrega benefícios, mas pode fazer parte de fórmulas enriquecidas com ativos hidratantes, reparadores ou antioxidantes, por exemplo. Eles podem ser combinados a óleos vegetais e também essenciais. São usados em formulações resistentes à água, que precisam de deslizamento: em maquiagens, óleos de massagem, hidratantes, balms labiais, entre outros produtos. 

E por que os óleos essenciais são tão caros?
São necessários muitos quilos de plantas para fazer a extração dos óleos essenciais, muito quilos MESMO. Para fazer a extração do óleo essencial de rosas, por exemplo, é necessário 100 kg de pétalas para conseguir só 1 ml. Ele é famoso por ser um dos mais caros do mercado, mas as quantidades e valores variam muito de planta para planta. Algumas são mais fáceis de serem cultivadas, outras florescem uma vez ao ano. Óleos essenciais são muito concentrados e devem ser usados em poucas quantidades, por isso os vidrinhos são tão pequenos. E é por isso também que o seu consumo também exige responsabilidade. 

Como eles agem no corpo?
Inalado, viram um amontoado de substâncias no nosso nariz e atinge o sistema límbico no cérebro, região responsável pelas emoções e comportamentos sociais. Ali pode disparar neuromediadores diferentes: que acalmam, dão ânimo, estimulam… O legal é ter um mix para diferentes situações. Seu uso foi estudado cientificamente por aromacologistas, aprofundado inclusive com imagens de ressonância magnética para observar em tempo real como atingem e estimulam o cérebro.

Assimilamos o efeito dos óleos só pelo cheiro?
Não só! Os óleos essenciais agem sob duas vertentes: pela inalação, atingindo o cérebro e disparando mecanismos de estimulação para o corpo inteiro, que é o tema de estudo da aromacologia, e tem a ver com o cheiro. Mas eles agem também pela farmacodinâmica, que é como as substâncias químicas agem no organismo via penetração na pele e mucosas. Existem, por exemplo, óleos essenciais específicos para uso culinário.

Como usar óleos essenciais no dia a dia?
O jeito mais fácil de começar é com um difusor, aproveitando o seu aroma nos ambientes. Em geral, é só misturar duas ou três gotas em um pouco de água. Escolha cheiros relaxantes para borrifar no quarto antes de dormir. Ou à tarde, no trabalho, para energizar o ambiente. Eles também podem ser usados para a pele, cabelo e unhas, em receitinhas com óleos vegetais, cremes ou xampus neutros. De toda forma, recomendo cuidado demais com misturas caseiras. Eles podem não ser compatíveis com fórmulas e também serem agressivas para a pele por causa da concentração. Uma boa sugestão: prepare uma máscara facial de argila e adicionar 3 gotas de óleo de melaleuca, para peles oleosas e acneicas. Ou combinar 5 ml de óleo de semente de uvas com 2 gotas de óleo essencial de palmarosa para peles secas ou desvitalizadas.

Que óleos essenciais você recomenda para uma primeira compra, que sejam úteis para diversas ocasiões?
Pense numa pirâmide olfativa, como a que construímos para  perfumes, com notas de cabeça, que são as primeiras  a serem percebidas pelo nariz e são as mais estimulantes,  depois seguem as notas de corpo, menos ligeiras, e as de fundo, mais lentas para a percepção olfativa e mais  encorpadas. Sugiro três clássicos e seguros: 
. limão: bem cítrico, estimulante, para te arrancar do chão de manhã, tirar da cama no inverno, despertar de uma tarde letárgica;
. lavanda: floral, para assentar a mente, dar foco;
. sândalo: uma madeira encorpada e cremosa, para acalmar e relaxar.

Ficou com vontade de entender ainda mais esse universo? Recomendo demais os livros publicados pela Sônia. O mais recente, “Aromassagem para Mamães e Bebês” (Red Publicações, R$ 79 na Amazon), já diz tudo: se rola usar em grávida e neném é um jeito bem seguro de começar a experimentar o assunto!

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