Shinrin-yoku: os benefícios de um banho de floresta (literal!)
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Shinrin-yoku: os benefícios de um banho de floresta (literal!)

por Vânia Goy

No ano passado, antes do mundo desabar, eu tinha um só desejo para 2020: passar mais tempo perto da natureza. Logo eu, mais paulistana, cosmopolita e urbana impossível. Nunca tive essa relação com a natureza, exceto pelo fato de ter sido criada por uma mãe bronzeadíssima que ama praia (de preferência, a menos deserta possível, vale dizer!).

Desde o ano passado eu andava cansada da cidade. Talvez tenha sido a mudança profissional dos últimos anos, que me fez passar mais tempo trabalhando em casa, ou uma saturação de programas e de coisas pra fazer em São Paulo — passei a sentir que sair de casa é quase sempre sinônimo de consumo ou é preciso uma uma certa dose de programação para ir, por exemplo, ao parque. Às vezes eu só queria ter montanhas no horizonte e uma graminha pra deitar.

Bom, nem preciso falar que depois de passar este ano trancada em casa meu desejo só aumentou. Adoro uma expressão em japonês que é shinrin-yoku, ou “banho de floresta”. E neste ano ela atravessou meu caminho diversas vezes. Adorei ouvir do André Alves, amante de chás, dizendo que tomar um chá fresco era um verdadeiro banho de floresta. Ou de quando bati um papo com a Luiza Voll, que havia voltado de uma temporada de três meses na praia (que incluíram trabalho remoto bem antes da pandemia dar as caras). Semana passada, até fragrâncias foram lançadas invocando essa capacidade restauradora que estar em contato com a natureza tem.

E essa necessidade de ficar perto do verde tem fundamento científico (como se precisasse, diante da sabedoria ancestral). Pesquisadores japoneses concluíram que fazer uma caminhada em meio à natureza melhora o sistema imune, cardiovascular e metabólico. Os participantes ainda mostraram decréscimo nos marcadores de depressão, fadiga, ansiedade e confusão. Não é sobre fazer exercícios ou correr. É só sobre estar na natureza, caminhar, descansar, contemplar e desfrutar.No Indulgência como Resistência, estudo recente que apresentei ao lado da Iza Dezon, incluímos um belo exemplo de como uns dias perto da natureza podem deixar a saúde melhor: dois dos maiores hospitais noruegueses inauguraram, no ano passado, cabines de madeira isoladas para aliviar as internações hospitalares prolongadas (clique aqui para ver o projeto lindo!).  “A natureza provê alegria espontânea e ajuda os pacientes a relaxar. Estar cercada de natureza os faz retornar ao hospital mais calmos. Nesse sentido, os retiros outdoor ajudam a motivá-los a passar pela fase de tratamento de uma forma melhor”, disse a psicóloga infantil Maren Østvold Lindheim, do Hospital Universitário de Oslo.

Se você, como eu, não mora pertinho das montanhas nem consegue escapar no fim de semana, valorize todas as pequenas oportunidades de parar numa praça, tirar os sapatos, sentar na grama e olhar pro céu em vez do celular. Eu tô andando até com uma canga na bolsa para não perder nenhuma oportunidade. Minutos que parecem nada, mas mudam tudo!

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