“Wellness interiors”: mais do que decoração, um desejo de planejar espaços restauradores, à serviço do nosso bem-estar
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“Wellness interiors”: mais do que decoração, um desejo de planejar espaços restauradores, à serviço do nosso bem-estar

por Vânia Goy

Você existe só do pescoço pra cima? Porque às vezes tenho a sensação que a nossa existência é definida apenas pelos pensamentos e pelos estí- mulos visuais permanentes. É como se estivéssemos habitando apenas a nossa mente: nela estão as tarefas que precisamos prever, tudo aquilo que não podemos esquecer, as vontades que definem o futuro ideal, as conversas do passado, a noção de tempo distorcida que a tecnologia gera, a distração (um tanto confortável) que as redes sociais causam.

A gente também existe por meio dos sentidos. E do pescoço pra baixo há um infinito de possibilidades que nos ajudam a estar. Simplesmente estar. Descansar, dormir, fazer nada, ajustar o senso de presença e noção de tempo que o corpo trás. Levar a atenção para a matéria estimula que gente crie essa interação entre a mente e os nossos estados emocionais com o nosso corpo e o que está ao redor. Você reconhece a tensão muscular dos medos, o desacelerar dos pensamentos com uma simples respiração, o poder relaxante da água quente ou de uma fragrância energizante? Vale até pros tecidos, que nos colocam imediatamente num modo de domingo, trazem aquela sensação gostosa de deitar na cama em dia de lençol limpinho ou ajeitar o travesseiro e alcançar uma parte gelada no meio da noite, sabe?

O tempo que passamos em casa em 2020 deu até uma nova perspectiva sobre os significados desses pequenos rituais cotidianos e também sobre a nossa casa e os espaços que nos cercam. Me deparei até com a expressão “wellness interiors”: mais do que decoração, um desejo de planejar espaços restauradores, à serviço do nosso bem-estar físico. Você deve ter reparado no boom de interessados em cultivar dezenas de plantas em seus apartamentos, na quantidade de paredes coloridas ou verdadeiros portais pintados nas paredes durante o ano passado. Gosto das paredes com texturas rústicas, dos tecidos aveludados e que imitam pelos de um carneirinho, das roupas de cama de linho que dão vontade de botar a mão e dos tons terrosos que vão dos pastel aos caramelo e aquecem e dão conforto — isso também tem nome, e ele vem da Suécia: mys. Nada de frieza ou minimalismo demais. A gente quer conforto pros sentidos.

Na foto, parte do projeto assinado pelo MNMA Studio para a Dois Trópicos, mix de loja de plantas, espaço de convivência e restaurante aqui de São Paulo que resume esse quartinho no coração cheio de texturas e cores gostosas. Clica aqui pra ver mais!

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